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Deixar uma marca

Deixar uma marca
02 de Fevereiro de 2022   |  

Você é marcante? Existe algo que você faz ou fala que deixa uma assinatura na mente da pessoa? Deixar uma lembrança, não precisa ser algo completamente consciente, mas talvez uma sutileza que faça uma ligação com você. Ficou confuso? Então vamos conversar mais, o texto de hoje é sobre “ser marcante”.


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Essa semana eu estava lendo um livro de clown, aliás, uma obra que tem aqui na plataforma “Magic Clown”, recomendo a leitura. Logo no começo, me deparei com um parágrafo que argumentava sobre a maquiagem dos palhaços, como elas devem pertencer ao artista e de certa maneira, ser algo único e exclusivo. Não demorou muito para a minha cabeça começar a matutar e traçar um paralelo com a mágica. A maioria dos mágicos não usa maquiagem, mas existe algo que o define e o torna único? Para além da persona e do personagem, estou buscando algo mais parecido com uma “maquiagem psicológica”. Um gesto, uma fala, um trejeito, algo que seja simples, porém que todos saibam que aquilo “é você”.


É difícil ter uma marca, ainda mais quando se pensa em algo sutil e fixante ao mesmo tempo. Quando estamos começando, é inevitável se portar e agir como aqueles que nos ensinam, por isso é tão importante ler e a prender o máximo que for possível com os livros, nas páginas quase não existem cacoetes para serem espelhados e copiados. Depois de um tempo, é necessário partir para uma busca, quase que interna, de como somos e devemos ser no palco.


Evidente que, quando pensamos nisso de maneira rápida, parece algo que não faz muita diferença, e pode ser que não faça, depende do seu estilo de mágica. Mesmo assim, separei alguns mágicos que tem pequenos gestos e atitudes que, quando olhamos isso de longe, já sabemos quem é. Podemos pensar na maneira como Tony Slydini, movimentava as mãos, algo único, simples, porém altamente marcante, e copiado até hoje. Trazendo para o presente, é inevitável saber que o David Blaine ficará sério, mesmo depois de um efeito complexo. A expressão “blasé”, já faz parte da persona e da assinatura que ele tem.


Poderíamos citar vários exemplos, as batidas na mesa que o Dani DaOrtiz faz, o “Oh my!” em tom agudo que apenas o Jeki Yoo pronuncia. São pequenas coisas que passam batido, mas quando o espectador assistir novamente, ele vai saber que aquilo pertence a tal artista.


E isso deve ser único, pois, quando vira algo manjado, se torna apenas uma “mania de mágico”. Estava fazendo uma apresentação em São Paulo, quando me disseram as seguintes palavras “você não tem o jeito de mágico”, era um elogio, porém eu achei estranho falarem aquilo. Depois me explicaram que, como eu não movimentava os braços “ala Copperfield” eu parecia uma pessoa normal fazendo mágica, o que de fato sou. A questão é, aquele estilo pertence ao Copperfield, infelizmente uma geração inteira de ilusionista fazem movimentos iguais, todavia, não possuem o mesmo gracejo que o David tem.


Moral da história, você não precisa ter uma assinatura, mas pode ser interessante ter. Caso você encontre, que seja algo único, simples e principalmente, que seja VOCÊ.



- João Victor Biolchi



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